Conheça história do ‘método’ usado por Pedro Sampaio em cover

Recurso era usado como 'afinador' de vozes em estúdios e se tornou algo presente nas músicas como artifício estético; veja algumas referências

Publicado em 07/06/2022 23:33
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Pedro Sampaio é um DJ bastante criativo que, além de produzir, mostra que gosta de inovar e sabe cantar, também. Porém, uma performance do artista virou motivo de piada entre os internautas na última segunda-feira (07/06).

Enquanto apresentava o TVZ, no Multishow, Pedro resolveu mostrar ao público uma versão feita por ele da música Boa Sorte, de Vanessa da Mata. Mas, ao que parece, a escolha estética por cantar usando o efeito conhecido como ‘auto-tune’ não agradou muito o público.

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Se robotizar mais a voz, o Will Smith vem te bater”, disse uma internauta, em referência ao filme Eu Robô, protagonizado pelo astro de Hollywood. “O Pedro Sampaio cantando parece teste de Audiometria do DETRAN”, escreveu outro. O nome do DJ foi parar entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil.

Entendendo a origem do auto-tune e da modulação vocal:

O ‘auto-tune’ é um efeito que ganhou força no fim dos anos 90, sendo usado apenas em estúdio como um corretor de imperfeições nas gravações de vocais de um determinado artista. Com o passar do tempo, ele ganhou protagonismo como artifício musical estético e passou a ser usado, principalmente, no pop e subgêneros do Rap, como o Trap.

O efeito de modulação vocal causa a impressão que as notas cantadas são mais extensas e gera uma sensação de que, muitas vezes, a voz é um outro instrumento, como uma guitarra ou som sintetizado. A busca por esse tipo de sonoridade, no entanto, vem de muito antes de Cher, por exemplo, levar ao público uma música que usa e abusa do auto-tune como recurso estético. O ano é 1998 e estamos falando de Do You Believe?. Ouça:

Nos anos 30, na música norte-americana, já era possível encontrar experimentações de modulações vocais. Na época, os estadunidenses, obcecados por entreter, entendiam que esse recurso era um atrativo para performances ao vivo, pois a ‘brincadeira’ prenderia a atenção do público.

Um guitarrista de jazz, conhecido como Alvino Rey, usava uma espécie de microfone de carbono, emulando um som de alto-falante, que projetava o som das cordas da guitarra, distorcendo sua voz. Além dele, podemos citar como parte importante dessa história uma brilhante apresentação de Stevie Wonder no programa de David Frost, no ano de 1972, na qual o artista usava uma talkbox para cantar, enquanto tocava piano. O canal Quadro em Branco tentou traçar uma “linha do tempo do auto-tune” e mostrou os exemplos citados em um belo vídeo, feito em 2020. Confira:

Foi uma longa caminhada até o auto-tune se tornar algo praticamente ‘essencial’ em determinados nichos. A geração de rappers formada por Young Thug, Lil Wayne, Kanye West e T-Pain, por exemplo, trouxe essa estética para dentro da musicalidade do rap de forma robusta. E com a ascensão do gênero ao público Pop, foi criada uma espécie de corrente de pensamento.

O próprio Pedro Sampaio já fez uso, com muito bom senso, do recurso em várias músicas, como Galopa, No chão Novinha, Dançarina, por aí vai. O que houve na releitura de Boa Sorte foi, com certeza, um errinho na dosagem. E quando um recurso diferenciado rouba demais a cena, sendo que o intuito não é bem esse, o público é colocado na zona de desconforto.

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