Jô Soares e a necessidade de abraçar novos artistas

Em quase 3 décadas à frente de talk shows, tanto no SBT como na Globo, Jô sempre recebeu novos artistas e deu palco para momentos marcantes da música brasileira

Publicado em 05/08/2022 14:51
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A notícia triste desta sexta-feira (05/08) fica por conta do falecimento de Jô Soares, que morreu aos 84 anos, internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A confirmação da morte veio pela mulher de Jô, Flavia Pedras, que, a pedido do próprio Jô, irá manter a causa da morte em sigilo. O velório não será aberto ao público, e contará com familiares e amigos mais chegados.

Jô era um artista complexo e versátil. Atuava, escrevia, apresentava, criava coisas como poucos. Mas um ponto muito bonito do que era a persona Jô Soares era seu encantamento por novos artistas, e o espaço que dava para estes poderem se expressar.

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Ao longo dos anos, desde os tempos de Jô Soares Onze e Meia, no SBT, sempre havia um lugar reservado ao que vinha surgindo de novo nas artes, como na música.

Mamonas Assassinas, Rogério Skylab, Seu Jorge, Chorão, entre muitos outros artistas foram recebidos por Jô quando ainda estavam buscando um lugar ao sol. E Jô ouvia a todos, encantado, contente com o novo.

Algumas entrevistas são memoráveis, como a de Ed Motta, ainda jovenzinho, em 1990. Sem saber falar inglês, mas cantando em inglês, deu uma palhinha que deixou a todos – Jô e plateia – impressionados.

Outro que sempre teve muita entrada nos programas de Jô Soares, tanto no SBT como na TV Globo, é Rogério Skylab. Conhecido por uma personalidade excêntrica e letras escatológicas, o músico não esconde a gratidão que sente por Jô, como foi bem lembrado pelo próprio em entrevista a Danilo Gentili, no ano passado.

É estranho pensar como um cara que canta coisas como ‘Dedo, língua, cu e buceta’, poderia ter espaço em um dos programas mais requisitados da maior emissora do país. Mas isso retrata bem como Jô era respeitador da criação artística alheia.

Outro ponto musical importante envolvendo seu programa, foi a histórica edição em que Jô entrevistou Caetano Veloso e Lobão, um seguido do outro, no alvorecer da desavença entre os artistas. Na ocasião, Caê cantou a música Rock n’ Raul, que cita Lobão indiretamente em seus versos. Tudo isso enquanto Lobão assistia tudo da plateia, antes de dar sua entrevista.

Sem Jô entre nós, perdemos todos. A vida continua, e a trajetória de muitos artistas só podem continuar porque alguém, no início de tudo, ajudou, de alguma forma, a começar.

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