O ano é 2022, e Lobão declara todo seu amor a Caetano Veloso e Gilberto Gil

Crítico da suposta 'máfia do dendê', Lobão adota tom mais pacifista; critica o corporativismo, mas se rende aos encantos das obras dos baianos

Publicado em 10/06/2022 17:35
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Uma coisa que caracterizou Lobão, grande nome do rock brasileiro, durante muitos anos, foram as declarações duras a respeito dos ‘cardeais da MPB’, sobretudo Caetano Veloso e Gilberto Gil. O rockeiro nunca teve papas na língua para criticá-los, tanto musicalmente, como politicamente. No entanto, parece que os anos fizeram o lobo amansar.

Em entrevista dada recentemente ao podcast Papo com Clê, Lobão aproveitou para externar o seu “amor profundo” a Caetano e Gil. O assunto chegou aos dois enquanto ele e Clemente Magalhães, host do programa, conversavam sobre a influência da dupla nos rumos da música brasileira e da cultura nacional em geral, algo que sempre foi duramente criticado pelo compositor de Hits como Me Chama e O Rock Errou. Porém, o Lobão optou por suavizar o ímpeto das suas reclamações, e fez questão de enaltecer a obra de Gil e Caê.

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O artista até citou que andou gravando alguns sucesso da dupla, como a música Você Não Entende Nada, de Caetano, como parte do projeto Canções de Quarentena. “Gravei porque tinha muito a ver com a pandemia, a letra”, explicou. “Gravaria Terra, Sampa. São artistas que eu devo muito poeticamente, artisticamente. Tenho amor a todos eles, um amor profundo ao Caetano, ao Gil”, declarou Lobão.

Apesar do tom mais pacifista e do amor declarado, as discordâncias em relação aos dois e ao suposto monopólio do sucesso da MPB seguem as mesmas e “profundas”, segundo o próprio Lobão disse. “No setor da organização, do business das coisas, tenho inúmeras discordâncias, protesto veementemente, continuo achando que é muito lesivo para toda a música brasileira”, pontuou o rockeiro. Confira o trecho:

Em outros tempos, o Lobo era mais feroz

Quem vê a fera (no sentido musical, mesmo, devaneios à parte) mansinha desse jeito, pode não se lembrar que, em outros tempos, o buraco era mais embaixo. Sobretudo no começo dos anos 2000, Lobão e Caetano travaram um duelo midiático, com algumas entrevistas, algumas dadas em em conjunto, como a famosa entrevista para a Revista Trip, publicada em julho de 2001. Até troca de gentilezas via músicas, no melhor estilo diss tracks, rolou entre a dupla, o que era ótimo para o cenário musical brasileiro da época.

Aparentemente, tudo começou quando Caetano lançou, em 2000 a música Rock N’ Raul, na qual cita Lobão indiretamente. A resposta veio a cavalo e, um ano depois, Lobão lançava a réplica Para o Mano Caetano.

Um dos primeiros virais do Youtube no Brasil, quando a plataforma começou a fazer grande sucesso por volta de 2010, era um trecho (o que a gente chama de corte, hoje em dia) de uma participação de Lobão no programa Café Filosófico, na TV Cultura, em 2007. Nesse highlight, temos um verdadeiro monólogo de quase 12 minutos do artista a respeito da MPB, em geral, principalmente ao que Lobão gostava de chamar de ‘Máfia do Dendê’, termo cunhado pelo jornalista Claudio Tognolli. Sobrou para Caetano, Chico Buarque, Gilberto Gil e até Oscar Niemeyer. Relembre:

Outro ponto marcante da relação entre os dois foi a clássica entrevista de Lobão para o Jornal do Brasil, na qual ele definiu a MPB como “uma punheta que se toca de pau mole”. A publicação da entrevista coincidiu, na época, com o lançamento do show Obra em Progresso, de Caetano Veloso, que leu alguns trechos no palco, para o público que lotou o teatro Oi Casa Grande, na Zona Sul do Rio. A leitura da entrevista foi o segundo ato da apresentação, que começou com uma música em forma de ‘tréplica’, chamada Lobão Tem Razão, que veio 7 anos depois de Para o Mano Caetano.

Devemos admitir que Lobão nunca foi o único a criticar Caetano, Gil e a tal ‘Máfia do Dendê’. Outros nomes da cultura brasileira já comentaram o assunto publicamente, como Fagner, por exemplo (inclusive, no mesmo podcast que Lobão esteve há pouco tempo). Mas ninguém é, ou pelo menos era, tão incisivo e performático quanto o rockeiro carioca, que disse ao O Globo, em recente entrevista, que se tornou uma pessoa “menos desagradável”.

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