Show de Zé Neto e Cristiano custou 400 mil reais aos cofres de Sorriso, no Mato Grosso

Ao todo, festival para comemorar aniversário da cidade custou 1 milhão de reais aos cofres públicos da cidade; confira cachês de todas as atrações

Publicado em 14/05/2022 14:38
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Na última quinta-feira (12/05), Zé Neto, que forma dupla sertaneja com Cristiano, fez um discurso polêmico em cima do palco, enquanto fazia um show em Sorriso (MT). Durante sua fala, o sertanejo enalteceu o estado do Mato Grosso, atacou a Lei Rouanet e mandou uma indireta para Anitta.

“A gente está aqui em Sorriso, no Mato Grosso, um dos estados que sustentou o Brasil durante a pandemia. Nós somos artistas que não dependemos de Lei Rouanet, nosso cachê quem paga é o povo”, disse o cantor, dando a entender que a dupla não precisa de incentivos públicos para realizar suas empreitadas artísticas.

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No entanto, o evento no qual Zé e Cristiano se apresentaram foi o Exporriso, festival organizado pela própria prefeitura da cidade para celebrar os 36 anos da fundação do município. Além da dupla, outras grandes atrações pisaram no palco: Gustavo Mioto, Alok e Barões da Pisadinha. E se o evento é organizado pela Prefeitura, de onde será que veio o dinheiro para pagar o cachê dos artistas? Certamente, dos cofres públicos.

No dia 16 de março deste ano, foi publicado no Portal da Transparência da prefeitura de Sorriso uma inexigibilidade de licitação, que simboliza que não haverá competição por aquele serviço procurado pela administração pública. No documento, consta a contratação de Zé Neto e Cristiano pelo valor de 400 mil reais.

Detalhamento do cachê da dupla Zé Neto e Cristiano, pago com dinheiro público (Reprodução/Prefeitura de Sorriso)

A dupla foi a atração que custou mais caro aos cofres da cidade. Os Barões da Pisadinha custaram 250 mil, Alok recebeu 200 mil e Gustavo Mioto foi contratado por 150 mil reais. Com os artistas devidamente pagos (gasto total de 1 milhão de reais aos cofres públicos), a entrada do público ao evento foi ‘gratuita’, e apenas camarotes foram comercializados. Sendo assim, uma coisa falada por Zé Neto está correta: o cachê da dupla foi pago pelo povo, já que a Prefeitura administra dinheiro público recolhido via impostos. Para ter acesso às informações com mais detalhes, basta clicar aqui.

Além dos ataques sem pé, nem cabeça, à Lei Rouanet, usada para fomentar projetos artísticos dos mais variados gêneros através do trabalho conjunto de Estado e iniciativa privada, ainda sobrou tempo para mandar uma indireta para Anitta. “A gente não precisa fazer tatuagem no ‘toba’, pra mostra se a gente está bem, ou não. A gente simplesmente vem aqui e canta, que o Brasil inteiro canta com a gente”, completou o sertanejo.

A reação instantânea de muitos internautas foi atribuir viés bolsonarista ao que disse Zé Neto, mesmo que ele não tenha citado o Presidente da República diretamente, mas tenha usado alguns clichês ideológicos que fazem parte dos jargões de Jair e seus apoiadores, como o ataque à Lei Rouanet e críticas que provocam pânico moral, como quando ele se referiu à tatuagem feita pela cantora em uma região íntima.

Anitta, até o momento, não se pronunciou a respeito. Mas seu pai, o Painito, se pronunciou pelas redes sociais e fez um pequeno ‘exposed’ sobre uma suposta bronca de Zé Neto com sua filha.

“Estes enrustidos são um saco. A inveja é uma merda. Este merda sempre teve problemas unilaterais com ela (Anitta). No Festeja (Evento dedicado à música sertaneja), deu ‘ataque de pelanca’ porque ela abriu um show que era de sertanejo. Mais tarde, em uma cidade do interior, colocou o ônibus deles trancando a saída da nossa produção e vans”, disse o pai da cantora.

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